A família se despede e, semanas depois, alguém pergunta: e o carro? Para usar, vender ou dividir o veículo, a família precisa resolver a herança e transferir carro de falecido para o nome certo. A ordem certa poupa tempo, multa e retrabalho.
Este guia, revisto em outubro de 2026, mostra quem pode pedir a transferência, que documento o Detran-SP aceita, quanto custa e o que mudou nas regras do inventário. Além disso, responde a uma dúvida comum: o despachante resolve sem inventário?
Quem pode transferir carro de falecido
Ser filho, cônjuge ou irmão não basta para assinar pelo dono que morreu. Afinal, quem decide para quem vai o carro é a partilha da herança, e não o grau de parentesco. A certidão de óbito comprova a morte, mas não diz quem herda.
Por isso, o Detran-SP pede o documento que encerra a sucessão: o formal de partilha, quando o inventário corre na Justiça, ou a certidão da escritura de partilha, quando ele sai em cartório. Até lá, o veículo pertence ao espólio, que reúne os bens, os direitos e as dívidas deixados pela pessoa.
O cônjuge ou companheiro merece atenção à parte. Conforme o regime de bens, ele tem direito à meação, que não se confunde com herança. Na comunhão parcial, por exemplo, metade do carro comprado durante o casamento já é dele. Mesmo assim, a transferência depende da partilha.
Inventário em cartório, na Justiça ou arrolamento
Em agosto de 2024, a Resolução 571 do Conselho Nacional de Justiça mudou o inventário em cartório. Antes, em regra, herdeiro menor de idade ou testamento levavam o caso para a Justiça. Agora, os dois cabem no cartório, desde que a família cumpra algumas condições, descritas na Resolução 35 do CNJ, já com as alterações.
- Inventário em cartório: todos os herdeiros de acordo e com advogado. Com herdeiro menor, o Ministério Público precisa concordar; com testamento, o juiz do testamento precisa autorizar.
- Inventário judicial: necessário quando os herdeiros não chegam a um acordo ou quando o testamento reconhece um filho.
- Arrolamento: forma simplificada do inventário na Justiça, usada na partilha amigável e quando existe um único herdeiro.
E o alvará judicial? Ele não é atalho garantido. A Lei 6.858, de 1980, dispensa o inventário para salário, FGTS e saldos pequenos, mas não fala em veículo. Tanto que o Tribunal de Justiça de São Paulo já decidiu dos dois jeitos. O caminho seguro é o alvará dentro do inventário, quando o juiz autoriza a venda do carro.
Para conhecer o caminho do cartório em detalhe, veja o guia do inventário extrajudicial de veículo.
Documentos para transferir carro de falecido no Detran-SP
A carta de serviço de transferência do Detran-SP, atualizada em 8 de outubro de 2026, traz um item próprio para veículo de pessoa falecida registrado em São Paulo:
- Formal de partilha, no inventário judicial, ou certidão pública de partilha, no inventário em cartório.
- CRV em branco ou declaração de ausência de documentos, com modelo no portal do Detran-SP.
- Carta de anuência ou de renúncia dos outros herdeiros, quando o carro fica com um só, com firma reconhecida por autenticidade ou assinatura eletrônica avançada ou qualificada.
- Laudo de vistoria de uma empresa credenciada, válido por 60 dias.
Além disso, o veículo precisa estar sem débitos e sem restrição judicial. Se o falecido comprou o carro e morreu antes de passá-lo para o próprio nome, o Detran primeiro registra o veículo em nome dele e só depois transfere aos herdeiros.
Ninguém faz a ATPV-e pelo falecido. Segundo o Detran-SP, só o proprietário atual gera a autorização eletrônica, com login no gov.br, e na herança o título é a partilha. Para entender a autorização eletrônica, veja o guia da transferência online com ATPV-e. O ITCMD, imposto da herança, não aparece na lista. Ainda assim, a Secretaria da Fazenda de São Paulo avisa que os bens só passam aos herdeiros depois do pagamento total.
Passo a passo para transferir carro de falecido
Do inventário ao documento novo, o caminho segue esta ordem:
- Consulte débitos, multas e restrições do veículo pela placa e pelo Renavam.
- Faça o inventário ou o arrolamento com um advogado, declare e pague o ITCMD e obtenha a partilha.
- Colete a anuência ou a renúncia dos outros herdeiros, se o carro ficar com um só.
- Leve o veículo à vistoria numa empresa credenciada.
- Pague a taxa e faça o pedido ao Detran-SP, que conclui em até 3 dias úteis.
A vistoria continua obrigatória mesmo com a transferência eletrônica da Resolução 1.027. Já o carro de São Paulo que vai para herdeiro de outro estado segue outra carta do Detran-SP: o órgão desbloqueia o óbito de graça, pela internet, e a transferência termina no Detran de destino. Para veículo registrado fora de São Paulo, vale a regra do estado de registro.
Custos e prazos da transferência por herança
Os valores de 2026 em São Paulo somam taxas do Detran e o imposto da herança:
- Taxa do Detran-SP: R$ 295,83 com o licenciamento do ano pago, ou R$ 469,91 sem ele.
- Vistoria: preço definido pela empresa credenciada, pago direto a ela.
- ITCMD: 4% sobre o valor dos bens herdados, com desconto de 5% se pago em até 90 dias do óbito.
- Multa por atraso no inventário: 10% do imposto se ele começar depois de 60 dias da morte, e 20% depois de 180 dias.
O Código de Trânsito dá 30 dias para registrar qualquer transferência, e o atraso é infração média, de R$ 130,16. Contudo, a lei não diz exatamente quando esse prazo começa na herança. Por isso, o mais seguro é pedir a transferência logo depois da partilha. Enquanto isso, o IPVA continua vencendo, e o inventariante responde pelo imposto devido pelo espólio.
Quer saber quanto fica o seu caso? Mande a placa e a situação do inventário pelo WhatsApp e receba a orientação.
Dá para vender o carro antes de terminar o inventário?
Dá, mas não com um recibo assinado pelos herdeiros. Hoje existem dois caminhos com respaldo legal:
- Alvará judicial: no inventário na Justiça, o juiz autoriza o inventariante a vender o carro.
- Escritura com autorização de venda: desde 2024, o cartório pode autorizar o inventariante a vender bens do espólio para pagar as despesas do inventário, como impostos e honorários. O mercado chama isso de alvará extrajudicial.
O Detran-SP, porém, só descreve na carta de serviço a transferência aos herdeiros. Portanto, quem compra deve confirmar, antes de pagar, se o documento do vendedor autoriza a venda daquele carro. Também não vale entregar o valor total a quem não representa o espólio.
Despachante consegue transferir documento de falecido?
Consegue, depois que a partilha fica pronta. O despachante não substitui o inventário nem o advogado. Em vez disso, ele cuida da parte do trânsito, que tem regras próprias e muda com frequência.
“Despachante documentalista, ao contrário do que muita gente pensa, tem sim responsabilidade jurídica. Não somos advogados, é óbvio.”
Henrique Pecini, despachante documentalista credenciado ao Detran-SP desde 1987
Na prática, o despachante confere se a partilha identifica o veículo certo e consulta débitos e restrições. Depois, organiza as anuências, indica a vistoria e faz o pedido no Detran. Assim, a família evita protocolo incompleto e idas e vindas.
Erros que travam a transferência por herança
- Deixar o carro anos no nome de quem morreu, acumulando IPVA, licenciamento e multas.
- Vender com recibo simples, antes da partilha ou sem autorização de venda.
- Achar que uma declaração dos herdeiros substitui o inventário.
- Abrir o inventário depois de 60 dias e pagar multa sobre o ITCMD.
- Esquecer a anuência ou a renúncia dos outros herdeiros quando o carro fica com um só.
Como a Pecini ajuda a transferir carro de falecido 100% online
A Pecini Despachante cuida da parte do Detran do começo ao fim, sem que a família precise ir ao balcão. Isso pesa quando os herdeiros moram em cidades diferentes. A Meire, do Sul do Brasil, resolveu assim uma pendência do carro: “Eu no Sul, para resolver com o Detran de São Paulo sobre o meu carro.”
“Uma transferência, como se fazia há dois anos, não é como se faz hoje. (…) Está toda hora mudando, para nós e para o cidadão.”
Henrique Pecini
Num momento delicado, o cuidado conta tanto quanto a técnica. A Eli, cliente atendida pelo Henrique, resumiu: “Atendimento excepcional e humanizado.” O atendimento é 100% online, para clientes em todo o Brasil e também em outros países. No Instagram da Pecini Despachante, o Henrique explica regras de trânsito e documentação.
Perguntas frequentes sobre transferir carro de falecido
Herança, herdeiros e inventário
Não sozinho. O filho é herdeiro, mas o Detran-SP só transfere com o formal de partilha ou a certidão da escritura de partilha. Se houver outros herdeiros, eles também assinam a anuência ou a renúncia.
Sim. Mesmo com um só herdeiro, é preciso um título: a escritura de inventário e adjudicação em cartório ou a adjudicação na Justiça.
Desde 2024, sim, com a concordância do Ministério Público e a parte do menor em fração de cada bem. Porém, a regra proíbe vender a parte dele por esse caminho, e o Detran-SP ainda fala em autorização judicial para registrar veículo em nome de menor. Por isso, confira o caso antes.
Não mais. O cartório aceita quando o juiz do testamento autoriza e todos os herdeiros concordam. Já o testamento que reconhece um filho exige inventário na Justiça.
Prazos, custos e documentos
O Código de Processo Civil fala em dois meses. Em São Paulo, quem abre depois de 60 dias paga multa de 10% sobre o ITCMD e, depois de 180 dias, de 20%.
O espólio responde pelos débitos. Em São Paulo, a lei do IPVA aponta o inventariante como responsável pelo imposto devido pelo espólio. Assim, vale manter o pagamento em dia para não somar multa e dívida ativa.
A taxa é de R$ 295,83 com o licenciamento do ano pago, ou R$ 469,91 sem ele, mais a vistoria. À parte, entram o ITCMD de 4% e os custos do inventário.
Formal ou certidão de partilha, CRV em branco ou declaração de ausência, anuência ou renúncia dos outros herdeiros e laudo de vistoria. Além disso, o veículo precisa estar sem débitos e sem restrição.
Venda, outro estado e atendimento
Todos precisam concordar. O caminho mais seguro é transferir aos herdeiros e depois vender, ou então usar a autorização de venda do juiz ou do cartório. Antes de pagar, o comprador deve conferir quem representa o espólio.
Primeiro, o Detran-SP desbloqueia o óbito de graça, pela internet, em até 3 dias úteis. Depois, o herdeiro conclui a transferência no Detran do estado dele.
Não. O despachante cuida da parte do Detran depois da partilha, mas não substitui o inventário, o arrolamento nem o advogado.
Sim. A Pecini atende 100% online, em todo o Brasil e também em outros países. Para veículo registrado em outro estado, a equipe orienta o passo a passo, e cada caso passa por análise.
Transferir carro de falecido: conclusão
Em resumo, primeiro vem a partilha, em cartório ou na Justiça; depois, a transferência no Detran, com vistoria e taxa. Desde 2024, menor de idade e testamento já não obrigam o caminho judicial, desde que a família cumpra as condições. Quanto antes a família agir, menos multa sobre o imposto e menos débito sobre o carro.
A Pecini Despachante acompanha esse processo 100% online, para clientes em todo o Brasil e também em outros países pela internet. Fale com a equipe pelo WhatsApp ou leia mais no Blog da Pecini.











